Pandemia

Prefeitura anuncia mais um lockdown a partir de sexta em Pelotas

Decisão busca diminuir o contágio do vírus que está fazendo com que UTIs e enfermarias fiquem lotadas

Na tarde desta terça, por meio de um vídeo postado nas redes sociais, a prefeita Paula Mascarenhas (PSDB) anunciou que Pelotas vai estar em lockdown pelo terceiro final de semana consecutivo. Segundo a chefe do Executivo, o decreto terá as mesmas restrições impostas no último final de semana, iniciando às 20h de sexta-feira e terminando às 5h de segunda-feira. "Tomamos essa decisão pois infelizmente os números não retrocederam. A gente percebe ainda um aumento nos casos. Nossas UTIs estão lotadas e infelizmente ainda não dá para flexibilizar medidas. A situação é muito grave", comentou a prefeita.

Sobre a vacinação no município, Paula disse que a última remessa de doses encaminhadas foi menor do que esperado e por isso o processo de imunização se torna mais lento. Mesmo assim, ontem foram vacinadas 1,2 mil idosos com 77 anos ou mais no drive-thru realizado no Centro de Eventos da Fenadoce.

Internações em alta

Mesmo com todas as restrições determinadas pelos governos municipal e estadual, o número de casos e internações causados pela Covid-19 só aumentam. Quem sente na pele todos esses aumentos, são os profissionais da saúde e os hospitais. O sistema público de saúde passa por um colapso, sem perspectiva de melhora. Em 30 dias, Pelotas passou de 73 pacientes internados, para 193. Nesses dados estão incluídas internações em leitos de enfermaria e de UTI.

Cristiane Neutzling, chefe da divisão médica do Hospital Escola da UFPEL diz que falta conscientização, engajamento e empatia por parte da população. "Estamos trabalhando no limite de nossas capacidades. Muito do desgaste emocional dos profissionais da linha de frente se deve ao fato de estarem todos muito exigidos, por muito tempo (um ano agora) enquanto observamos baixa adesão da população em geral, às medidas de distanciamento social e uso de máscaras. Com isso, o profissional tem um sentimento de estar nadando contra a maré" desabafou Cristiane.

Faltam leitos

Terça, os 62 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) que o município disponibiliza para o tratamento exclusivo de pacientes confirmados ou com suspeita de coronavírus pelo Sistema Único de Saúde (SUS) estavam ocupados, e até as 14h, 17 pessoas ainda aguardavam uma dessas vagas. Enquanto esperam um leito, sem nenhuma previsão de quando isso vai acontecer, os pacientes recebem a assistência possível conforme o estado de saúde e ficam em leitos de enfermaria nos hospitais, na UPA Areal ou no Centro Covid.

Além da sobrecarga nas UTIs, também não há mais leitos de enfermaria. Pelotas possui 108 leitos de enfermaria destinados exclusivamente para Covid-19. Porém, de acordo com o boletim divulgado ontem pela prefeitura, 193 pessoas estavam internadas no município, desses, 66 estavam em UTI. Os excedentes são atendidos por outras alas dos hospitais, em leitos gerais, que poderá vir a faltar também para atender demandas de outras doenças.

Por meio da assessoria de comunicação, a prefeitura informou que não há previsão para abertura de novos leitos de UTI. A secretária de Saúde do município, Roberta Paganini, diz que a pasta mantém diálogo com os hospitais, mas que eles estão sobrecarregados. "A prefeitura tem trabalhado para conseguir ampliar o número de leitos desde o início da pandemia, mesmo com o agravamento da crise, mas estamos chegando no limite da nossa capacidade de ampliação. Será cada vez mais difícil, daqui pra frente, conseguir ampliar ainda mais a estrutura hospitalar. Nós realmente dependemos da diminuição do contágio, para que possamos reduzir o agravamento e a necessidade de ocupação dessa estrutura hospitalar. É muito importante que a população tenha essa consciência".


Perfil de casos

De acordo os dados da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde, atualmente, a faixa etária com mais pacientes internados é entre 40 e 49 anos, sendo que o maior número de óbitos é de pessoas com idade entre 65 e 79 de acordo com o levantamento feito pelo Observatório de Segurança Pública. O boletim de zoneamento divulgado na última segunda-feira, mostra que a região das Três Vendas é a que mais registra casos, correspondendo à 23,4%. As localidades com índices mais baixos são a Colônia com 1,8% e a Barragem com 0,8%.

Terça, o governo do Estado divulgou um boletim com o perfil dos infectados no Rio Grande do Sul e mostra que atualmente os jovens são o que representam o maior número de infectados, porém os especialistas dizem que isso pode acontecer pois o vírus está circulando mais, contaminando uma parcela maior da população. Outro ponto observado pelos especialistas é um aumento de pessoas sem comorbidades que se infectaram e estão apresentando gravidade e até mesmo morrendo. O relatório aponta que o perfil de pacientes internados não pode ser associado às mutações do vírus, porque ainda não se tem dados suficientes para isso.

Os dados também apontam um tempo maior entre o começo dos sintomas, a procura por atendimento e a efetiva hospitalização. No começo deste ano, a média de tempo para a internação era de seis a sete dias, número que cresceu, nas últimas semanas, para oito ou nove dias.

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